Balance
Jorge Luis Borges, in The Immortal, from the book "The Aleph".
Two different ways
Stephen Chbosky, in The perks of being a wallflower.
You are wrong
Jonathan Coe, The rain before it falls.
Silêncio
Os aviões mergulham nas nuvens e desenham rastos.
Os gatos deitam-se nas sombras de casas vazias.
Os bichos da madeira trincam a lenha.
O sol enche o chão de lava.
As aranhas percorrem as teias carregadas de moscas.
As formigas transportam as migalhas.
As fitas da entrada adormecem no colo do vento.
Uma simples soma de todos os silêncios. Pode a vida ser assim.
Alcafozes, 2019
O campo
no campo, entre a inconsciência e a impassibilidade da Natureza, ele tremia com o terror da sua fragilidade e da sua solidão. Estava aí como perdido num mundo que lhe não fosse fraternal; nenhum silvado encolheria os espinhos para que ele passasse; se gemesse com fome nenhuma árvore, por mais carregada, lhe estenderia o seu fruto na ponta compassiva de um ramo. Depois, em meio da Natureza, ele assistia à súbita e humilhante inutilização de todas as suas faculdades superiores. De que servia, entre plantas e bichos — ser um Génio ou ser um Santo? As searas não compreendem as Geórgicas; e fora necessário o socorro ansioso de Deus, e a inversão de todas as leis naturais, e um violento milagre para que o lobo de Agubio não devorasse S.Francisco de Assis, que lhe sorria e lhe estendia os braços e lhe chamava «meu irmão lobo»! Toda a intelectualidade, nos campos, se esteriliza, e só resta a bestialidade!
Eça de Queirós, em A Cidade e as Serras
A beleza da imperfeição
O conjunto dos meus sintomas consiste na atracção que sinto por tudo o que está estragado e rachado, e por tudo o que é imperfeito e defeituoso. Tenho particular interesse por formas imperfeitas, erros na criação, becos sem saída. Por tudo aquilo que deveria desenvolver-se e que, por qualquer motivo, ficou atrofiado ou, pelo contrário, excedeu as medidas previstas. Por tudo o que escapa à norma, que é demasiado pequeno ou demasiado grande, exuberante ou incompleto, monstruoso e repugnante. Formas que não obedecem à simetria, que se multiplicam, que rebentam pelas costuras, que desabrocham por todos os lados ou que, pelo contrário, reduzem a diversidade à uniformidade. Não tenho qualquer interesse por acontecimentos que se repetem, aqueles que são atentamente tratados pela Estatística e que todos celebram com um sorriso feliz e familiar no rosto.
Olga Tokarczuk, em Viagens.
Musicofilia #4
I don't know what to want from this world
I really don't know what to want from this world
Olhando o sofrimento dos outros
"Nenhuma ideia por mais elaborada que seja daquilo que é ou pode ser a fotografia poderá diminuir a satisfação que dá uma imagem de um acontecimento inesperado captado em plena acção por um fotógrafo atento."
"A imagem fotográfica, até na medida em que é um indício (não uma construção feita a partir de variados indícios fotográficos), não pode ser simplesmente uma cópia de uma coisa que aconteceu. É sempre a imagem que alguém escolheu; fotografar é enquadrar, e enquadrar é excluir."
Susan Sontag, em Olhando o sofrimento dos outros.
"I understand, all right. The hopeless dream of being - not seeming, but being. At every waking moment, alert. The gulf between what you are with others and what you are alone. The vertigo and the constant hunger to be exposed, to be seen through, perhaps even wiped out. Every inflection and every gesture a lie, every smile a grimace. Suicide? No, too vulgar. But you can refuse to move, refuse to talk, so that you don't have to lie. You can shut yourself in. Then you needn't play any parts or make wrong gestures. Or so you thought. But reality is diabolical. Your hiding place isn't watertight. Life trickles in from the outside, and you're forced to react. No one asks if it is true or false, if you're genuine or just a sham. Such things matter only in the theatre, and hardly there either. I understand why you don't speak, why you don't move, why you've created a part for yourself out of apathy. I understand. I admire. You should go on with this part until it is played out, until it loses interest for you. Then you can leave it, just as you've left your other parts one by one."
Persona, de Ingmar Bergman.
Como outra coisa qualquer
Morrer
É uma arte, como outra coisa qualquer.
E eu executo-a excepcionalmente bem.
Sylvia Plath, em Ariel.
Musicofilia #3
Oh, the glory of it all was lost on me 'Til I saw how hard it'd be to reach you And I would always be light years, light years away from you.
Little oranges in the fire
Ernest Hemingway, em A moveable feast.
Sair da ilha para ver a ilha
Ernest Hemingway, em A moveable feast.
How different it was when you were there
- The part nobody knows
- To hope and write well (The Paris Stories)
- To write it true
- Good nails are made of iron
- To bite on the nail
- Some things as they were
- Some people and the places
- How it began
- To love and write well
- It is different in the ring
- How different it was when you were there
Follow me
Follow me, the wise man said, but he walked behind.
Leonard Cohen, em Teachers.
Retirado do livro Teatro Vertical, de Manuel Alberto Vieira.
Uma planta na carne
antes cinzentas
vestem os
vestidos de flores
e há abelhas que pousam
e luzes
e sons
e silêncios.
as janelas
da nossa casa
e coloca
qualquer coisa
aqui dentro,
como se
da nossa carne
nascesse
uma planta.
do escuro.
Dizemos as
palavras
respirar
acordar
caminhar
e rodeamo-nos
de borboletas brancas.
podemos até pensar
que estamos vivos.
Musicofilia #1
To break my spirit
It won't work
Because there's nothing left to break
Anymore

