quando nos sentamos juntos, as palavras que dizemos fundem-nos um no outro.

Virginia Woolf, em As ondas 
Mas a solidão é que é sempre considerada um castigo:
Assusta tanta gente. E, no entanto, o monstro
está na multidão

Joan Margarit, em Animal de Bosque
basta-me saber que em teoria tu me podes ouvir mesmo que na realidade não ouças não preciso de mais, basta sentir-te aí ao alcance da minha voz e se for preciso para o que der e vier. 

Samuel Beckett, em Dias Felizes

As canções da Terra (2013), produzido por Wim Wenders e Liv Ullmann
Esperar ou vir esperar
querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci

embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.

Mário Cesariny, no poema «estação».
Long ago, I was wounded. I lived
to revenge myself
against my father, not
for what he was—
for what I was: from the beginning of time,
in childhood, I thought
that pain meant
I was not loved.
It meant I loved.

Louise Glück, em Ararate.

In terms of this reciprocal creative dynamic, does she offer advice on song lyrics?

Not directly. She doesn't sit down and write the lyrics to a song with me, because there is no room in the process for her, or anyone else (...)
But I think, ultimately, my songs are gifts to her and I think her dresses are gifts to me. We are both waving to each other, through our work.

Nick Cave, em "Faith, Hope and Carnage"


A Ilha de Bergman (2021)
A infância é um país mágico donde somos todos expatriados pela percepção da morte ou da crueldade.

Maria Velho da Costa, em Myra.
Há um momento após desviares o olhar
em que te esqueces de onde estás
pois tens vivido, parece,
noutro lado, no silêncio do céu nocturno.

Deixaste de estar aqui no mundo.
Estás num lugar diferente,
um lugar onde a vida humana não tem sentido.

Não és uma criatura num corpo.
Existes como as estrelas existem,
participando na sua quietude, na sua imensidão.

Até que volta a estar no mundo.
De noite, numa colina fria,
a desmontar o telescópio.

Só depois percebes
que não é falsa a imagem
mas a relação.

Vês de novo como cada coisa
fica tão longe de todas as outras.

Louise Glück, em Averno.