Quem sabe exactamente para onde vai, e no caminho não se perde, ou é um sábio clarividente ou um evidente tonto. 

Gonçalo M. Tavares, no Expresso.

O haver ainda árvores
andorinhas
poderia ser um consolo
ainda que elas já não saibam
o que é florescer, voar
e que nós continuemos
na sombra imóvel
a encostar palavras a palavras
como se nada nos faltasse.

Hans-Ulrich Treichel, em Como se fosse a minha vida.
Nunca chegará o fim do mundo
se eu lembrar a tua voz
e depois for lembrada
a minha voz, e muito mais tarde
ainda, fiel memória,
a conjurar as trevas e as fossas,
arrancar do silêncio as imperceptíveis
perguntas dos olhos cegos: onde estás?, onde estás?,
onde estás?, e nenhuma resposta
se erguer na terra
à excepção de uma flor.

Màrius Sampere, em Resistir ao Tempo.
Há dias em que em ti talvez não pense
a morte mata um pouco a memória dos vivos
é todavia claro e fotográfico o teu rosto
caído não na terra mas no fogo
e se houver dia em que não pense em ti
estarei contigo dentro do vazio.

Gastão Cruz
(20/07/1941 - 20/03/2022)

Quando foi a II Guerra Mundial, os nazis metiam os judeus nos fornos e mataram pessoas extraordinárias. Aqueles que fogem agora dos seus países de origem por razões políticas são pessoas como nós. Se calhar gostavam de estar a escrever, gostavam de estar a pintar, e tiveram de deixar tudo. 

Entrevista à pintora Graça Morais, no Expresso.

era como se nos disséssemos adeus de dois comboios que seguiam em sentidos opostos. 

Bohumil Hrabal, em Uma solidão demasiado ruidosa. 

Todos os dias, dez vezes ao dia, me pergunto, admirado, como pude afastar-me tanto de mim.

Bohumil Hrabal, em Uma Solidão Demasiado Ruidosa

Penso em ti, logo, existo.

Coimbra de Matos (1929-2021)


Into the darkness, or is it the light?
Should I be waking up
Or finding a place to sleep.